Bolsonaro cita bíblia, lepra, aids, “comportamentos sexuais diferenciados” e mantém discurso pró cloroquina e ivermectina

Em passagem por Chapecó, presidente faz discurso polêmico, erra nas referências e se diz perseguido ao defender "tratamento precoce" contra a Covid-19

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Em visita realizada a cidade de Chapecó, Santa Catarina, nesta quarta-feira (7), Bolsonaro voltou a trazer argumentos sem comprovação científica durante discurso.

Ao longo da conversa com apoiadores, o presidente voltou a exaltar os supostos benefícios do “tratamento precoce” contra a Covid-19.

Bolsonaro aproveitou para criticar a “demora da ciência” e fazer comparações inusitadas com as pessoas “leprosas” mencionadas na Bíblia:

“Quem já leu ou viu filmes daquela época, quando Cristo nasceu, o grande mal daquele momento era a lepra. O leproso era isolado, mantinham distância dele. Hoje em dia, temos lepra também, continua, mas o mundo não acabou naquele momento”.

O presidente da República manteve o seu discurso na contramão das medidas restritivas contra o novo coronavírus.

Tratamento precoce e comparação com o HIV

Bolsonaro aproveitou a visita para promover novamente o uso da hidroxicloroquina e a ivermectina, tendo em vista que o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, é defensor do tratamento sem eficácia comprovada.

Ao citar a cloroquina e a ivermectina, o presidente reforçou que é de autonomia do profissional da saúde receitar ou não os medicamentos sem comprovações científicas:

“Se o paciente está com a doença e não tem o remédio específico comprovado cientificamente, tem que buscar uma alternativa. Não sei como salvar vidas, não sou médico, não sou enfermeiro, mas tem que buscar uma alternativa para isso”.

Na medida em que defendia o tratamento precoce, o Bolsonaro chegou a comparar o vírus da Aids com o da Covid-19:

“Eu acredito na ciência, mas a ciência por vezes demora. Naquela época, o que foi usado para combater o HIV? O coquetel do AZT. Era comprovado cientificamente? Não”.

Mantendo as justificativas sobre a utilização dos remédios sem comprovação científica contra a Covid-19, ele comparou os métodos usados nos anos 80 contra a Aids e a situação que o país enfrenta atualmente:

“Se não tivesse usado, não chegaríamos no futuro ao coquetel que dá quase uma condição de vida normal aquele que contraiu o vírus. Agora, por que não se combateu também? Porque era o HIV mais voltado para uma classe específica que tinha comportamentos sexuais diferenciados”.

Ao dizer que o HIV era mais voltado para uma classe específica que tinha comportamentos sexuais diferenciados, Bolsonaro relaciona a doença às pessoas homossexuais de maneira completamente equivocada.

Bolsonaro reclama de perseguição

O presidente afirmou que o governo federal vem se utilizando dos meios possíveis no combate à pandemia e que o nosso inimigo é apenas o vírus:

“Acho que sou o único líder mundial que apanha isoladamente. O mais fácil é ficar do lado da massa, da grande maioria. Se evita problemas, não é acusado de genocida, não sofre ataques por parte de gente que pensa diferente. O nosso inimigo é o vírus, não é o presidente, governadores e prefeito. Dá para sairmos dessa”.

Ele finaliza com uma fala sobre isolamento que remete ao seu posicionamento contra as medidas de restrição impostas por governadores e prefeitos.

Bolsonaro dá a entender que a Covid-19 seguirá existindo mesmo que o “lockdown” seja implementado, o que seria, na sua visão, ruim também para a economia, não apenas para a saúde.

Já são 336.947 mortes e 13.100.580 casos confirmados de Covid-19 no país desde o início da crise sanitária.

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