Bolsonaro: aulas na pandemia não deveriam ter parado

O presidente justificou-se alegando que quase não há mortes de crianças por Covid-19. No entanto, especialistas não concordam com posição de Bolsonaro...

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nos últimos dias que escolas não deveriam ter parado aulas presenciais na pandemia da Covid-19. As declarações foram feitas, por exemplo, durante a posse de Eduardo Pazuello (ministro da Saúde). A posse ocorreu ontem (16/09).

 

Bolsonaro critica aulas não presenciais

Assim, na cerimônia de Pazuello, Bolsonaro criticou gestores. Além disso, ressaltou que o Brasil é o país há mais tempo com salas de aula fechadas.

“Não tínhamos por que fechar escolas. Porém, as medidas restritivas não estavam mais nas mãos da presidência da República. Somos o país com o maior número de dias de lockdown nas escolas. Isso é um absurdo.”, disse o presidente.

Além isso, Bolsonaro justifica-se que tem feito estudos comparando outros países. De acordo com o presidente, a chance de alguém menor de 40 anos morrer por causa da Covid-19 é quase zero. Portanto, para ele, as escolas deveriam ter ficado desde março com aulas presenciais.

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Críticas à posição do presidente

As declarações, no entanto, sofrem muitas críticas. Por exemplo, de entidades civis de proteção à criança e ao adolescente.

“Realmente, é difícil para elas (crianças) acompanhar aulas virtuais. No entanto, uma volta às aulas preocupa os pais. Porque manter protocolos de distanciamento social nessa idade é um enorme desafio.”, posiciona-se a ANDI.

Já especialistas, também não concordam com a posição de Bolsonaro. “O retorno presencial das escolas é a questão mais polêmica e grave que estamos enfrentando.”, avalia o psicólogo e terapeuta familiar, Alexandre Coimbra Amaral – para o G1

“O retorno presencial das aulas não pode ocultar o grande esforço da pandemia, que é preservar vidas.”, ressalta o especialista.

“Particularmente, sou contra a reabertura de escolas. Porque ela tem finalidade eminentemente de oferecer para o mercado um lugar para deixar as crianças. Enquanto isso, os pais são obrigados a voltar para escritórios.”, concluiu Amaral.

Já demais profissionais da saúde, como a enfermeira chefe especializada em saúde pública, Paula Petesse, não concorda com as declarações de Bolsonaro. Assim, ela explica que a questão não pode ser vista como uma baixa incidência de crianças que morrem por Covid-19.

Paula explica que crianças podem se contaminar e não vir à óbito. No entanto, os pequenos transmitem a doença potencialmente a adultos. Além disso, para idosos.

Uma criança contaminada pode colocar em risco à saúde e até a vida de seus responsáveis. Neste caso, como esse menor fará, se ele perde os cuidados dos pais?”, analisa e alerta a enfermeira chefe. “Além disso, a escola na pandemia, por mais que tenha protocolos, não garante a segurança dos nossos estudantes em relação à Covid-19.”, destaca Paula.

Por exemplo, o Brasil 123 já pesquisou sobre o risco de uma criança assintomática por Covid-19 contaminar adultos. Veja Aqui a reportagem!

 

 

Com informações da ANDI, do SBT e do G1

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