Bolsonaro aposta, mais uma vez, na politização da vacina

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A última quarta-feira, dia 21 de outubro, foi de incômodo, revolta e confusão. Ao menos para grande parte da população, a qual não se inclui na base mais dura dos apoiadores de Jair Bolsonaro (sem partido).

O presidente iniciou a quarta-feira com ligações para o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para tratar sobre fala deste em conferência ocorrida no dia anterior, terça-feira, com João Doria (PSDB-SP), governador de São Paulo.

Em conversa, Pazuello, afirmou que “a vacina do Butantan será vacina do Brasil”. A fala do ministro deixou os apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais no maior rebuliço. Todos muito contrariados, não pela demora da pandemia, que alcança seu décimo mês nesta semana com mais de 155 mil mortos; não pela falta de clareza do governo sobre os próximos passos que o país dará; também não pelo descaso com o que foi sugerido nos últimos meses pela Organização Mundial da Saúde (OMS) ou sequer pela demora da chegada da vacina contra a Covid-19. Não, os apoiadores de Jair Bolsonaro estavam indignados mesmo é pelo fato do imunizante ser chinês, como se nacionalidade, vírus e bioquímica tivessem algo a ver. Um tremendo abacaxi.

Porém, a surpresa não termina aí. O contentamento do governador de São Paulo, Doria, demonstrado em post no Twitter com a frase “Venceu o Brasil”, dobrou a insatisfação.

 “Acuse os adversários daquilo que você faz”: a ciência e vacina em dúvida

Bolsonaro, então, ele que, ora bolas, nunca politizou a pandemia, é claro, tirou o corpo fora. Acusou o Pazuello de traição e esbravejou em tweet que não compraria o imunizante. Subentendeu ainda que estariam usando o povo de cobaia ao escrever em caixa alta “o povo não será cobaia de ninguém”. Bolsonaro, então, resolveu exigir que o ministro Pazuello e o Ministério da Saúde voltassem atrás e ligassem para São Paulo, avisando que a compra seria muito menor do que o anunciado e que só ocorreria se a vacina do Butantan saísse antes de qualquer outra.

O imbróglio não termina aí, pois assessores do Planalto e do Ministério da Saúde afirmaram que o presidente sabia da proposta e que Pazuello não toma qualquer decisão sem antes consultar o líder do Executivo. O que Bolsonaro não sabia era que a repercussão seria rápida e que soaria tão mal em sua base eleitoral. Daí o motivo da reviravolta e das afirmações sobre suposta traição do ministro da Saúde.

Para justificar para sua “torcida” e para os incautos que venham a duvidar do teor da decisão, Bolsonaro passou a última quarta-feira alegando que a vacina não estava comprovada cientificamente, a qual, na verdade, encontra-se na terceira e última fase dos testes e está prevista para janeiro do ano que vem.

Questionar a comprovação científica de um fármaco é um direito e um cuidado necessário, naturalmente. O que espanta é que logo o presidente que passou a pandemia dando de ombros para a comunidade científica que afirmava que a hidroxicloroquina não possuía e não possui qualquer eficácia relevante contra a Covid-19, resolveu, agora, enfraquecer a importância da vacina por meio desta estapafúrdia querela acerca da vacina produzida em São Paulo.

Governadores irão ao STF?

Os resultados serão catastróficos, pois reforça discursos antivacina e confunde aqueles que são carentes de informação. Prevendo essa situação, os governadores estão se organizando para recorrer ao STF contra as ações do governo federal no que diz respeito ao desenvolvimento da vacina em solo brasileiro.

 

5 Comentários
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