Banco Central deve elevar juro do Brasil ao maior patamar em um ano e meio

Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta quarta (16) para definir os rumos da política monetária praticada no Brasil

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nesta quarta-feira (16) para definir a taxa básica de juros do Brasil, a Selic. No geral, economistas apontam para uma elevação de 0,75 ponto percentual (p.p.). Contudo, alguns acreditam que a alta será ainda maior, de 1,0 p.p.

A saber, esta será a terceira elevação seguida da Selic. Atualmente, a taxa está em 3,5%. Com a elevação definida nesta quarta, passará para 4,25% (caso suba 0,75 p.p.) ou 4,5% (num elevação de 1,0 p.p.). Em ambos os casos, a taxa alcançará o maior nível desde o final de dezembro de 2019, quando a Selic estava em 4,5%.

Aliás, os economistas estimam que as elevações ainda ocorrerão no decorrer do ano. Isso porque estimam que a Selic encerre 2021 em 6,5%. Caso esse dado se confirme, representará uma forte elevação desde o início do ano, quando a taxa estava em 2,0%.

Em resumo, a pandemia da Covid-19 figura como a principal responsável pelo recuo da Selic do ano passado pra cá. A taxa até vinha caindo desde meados de 2019, mas caiu para o menor patamar (2,0%) em agosto de 2020 por causa da crise sanitária. Houve forte queda no ano, que começou com a Selic em 4,5%.

Entenda o que a elevação do juro pode provocar no Brasil

A elevação da taxa básica de juros do Brasil reflete nos juros praticados na economia do país. Em suma, a alta puxa também as taxas bancárias para cima, refletindo num crédito imobiliário mais forte, que já vem subindo nos últimos meses.

Vale destacar que a elevação da Selic limita a oferta de crédito no país, no geral. Dessa forma, há um desaquecimento da economia. Por isso, o consumo da população, bem como os investimentos produtivos no Brasil devem ser impactados, afetando também o emprego e a renda. Além disso, aplicações financeiras em renda fixa também tendem a ter um rendimento um pouco maior, como a caderneta de poupança.

Então, porque elevar a Selic?

A Selic vem subindo nos últimos meses para tentar conter a alta da inflação do país. Em síntese, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil. E a forte alta em maio mostra que a Selic precisa subir o quanto antes.

A saber, as decisões tomadas pelo Copom sobre a política monetária do país tendem a demorar entre seis e nove meses para provocarem impacto pleno na economia. Então, para que a inflação siga sob controle, as elevações precisam ocorrer o quanto antes. E o Banco Central está correndo para isso.

Uma inflação baixa e estável permite maior crescimento para a economia, visto que há redução nas incertezas econômicas. A meta central para a inflação em 2021 é de 3,75%, mas há limites que permitem que o IPCA varie de 2,25% a 5,25%, que não extrapolará a meta, pelo menos não formalmente.

Essa taxa precisa ser alcançada ao final de 2021. No entanto, nos últimos 12 meses, encerrados em maio, a inflação está em 8,06%, superando em muito o centro da meta. Por isso, o Banco Central precisa agir para controlar a inflação até o final do ano. E a elevação da Selic permitirá isso.

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