Adultos infectados com nova variante da Covid-19 têm 10 vezes mais vírus no corpo

O estudo ainda não foi revisado por outros cientistas, mas vai ao encontro da opinião de especialistas que afirmam que a cepa tem se transmitido até 50% mais rapidamente

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Um estudo realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e divulgado na tarde deste sábado (27), afirma que adultos infectados pela mutação da Covid-19, identificada no Amazonas, têm uma carga viral dez vezes maior do que adultos infectados pela cepa “original” do vírus.

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A pesquisa divulgada pela Fiocruz, que você pode ler clicando aqui, ainda não foi revisada por outros cientistas e nem publicada em uma revista. Todavia, o estudo vai ao encontro do que dizem outros especialistas, que afirmam que essa nova variante tem um poder de transmissibilidade muito maior.

Na sexta (26), o Brasil123 publicou uma matéria em que o Diretor do Butantam, Dimas Covas, afirma que as novas variantes da Covid-19 podem ser transmitidas de 30% a 50% mais rapidamente do que o vírus que circulava no Brasil no começo da pandemia.

Nesse sentido, Felipe Naveca, pesquisador da Fiocruz Amazonas e líder do estudo, afirma que se a pessoa tem mais carga viral nas vias aéreas superiores, a tendência é que ela estará expelindo mais vírus. “Se ela está expelindo mais vírus, a chance de uma pessoa se infectar próxima a ela é maior”, conta.

Sem sintomas mais graves

Até o momento, tanto a pesquisa divulgada neste sábado, quanto outras já divulgadas, afirmam que as novas variantes não, necessariamente, fazem com que sintomas mais graves sejam desenvolvidos.

Para Felipe Naveca, a carga viral não está relacionada com gravidade. “A gente tem pacientes com alta carga viral e sintomas muito leves ou até sem sintomas”, diz o pesquisador.

Identificada pela primeira vez em Manaus, no Amazonas, e grande responsável pelo colapso registrado na região, a nova variante já foi confirmada em outros 18 estados brasileiros.

Nova variante + relaxamento social = mais casos

A equação é simples e o resultado óbvio. De acordo com o estudo, o relaxamento social, associado a maior taxa de transmissibilidade da nova variante do vírus é o que tem feito o Brasil bater recordes atrás de recordes nos números de casos. Prova disso é que, na última quinta-feira, o país chegou a 1.582 vítimas em um único dia, número mais alto desde o início da pandemia.

A falta de distanciamento social eficiente e outras medidas de mitigação, provavelmente aceleraram a transmissão precoce da variante, enquanto a alta transmissibilidade desta mutação alimentou, ainda mais o rápido, o aumento de casos e hospitalizações observados em Manaus após seu surgimento”, disseram os pesquisadores brasileiros no estudo.

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Por fim, eles reforçam que “a fraca adoção de intervenções não farmacêuticas”, como o não uso de máscaras, como tem ocorrido no Amazonas, e em outros estados brasileiros, representa um risco significativo e tende a contribuir para o contínuo surgimento e disseminação de novas variantes”.

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