Ações da Petrobras tombam 19% em fevereiro, com interferências de Bolsonaro

Papéis despencam em mês de forte alta do petróleo e subida do dólar

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O Ibovespa afundou 4,37% em fevereiro, puxado, em especial, pelo derretimento das ações da Petrobras. A estatal sofreu fortes perdas no segundo mês de 2021, chegando a um prejuízo superior a R$ 100 bilhões em apenas dois pregões. Assim, o valor de mercado da estatal passou de R$ 382,9 bilhões, no fechamento do último dia 18, para R$ 280,5 bilhões, após duas sessões. E o principal responsável por isso foi o presidente Jair Bolsonaro.

Para entender toda essa história, é preciso voltar para 2020. No ano passado, muitos investidores estavam desgostosos com os preços dos combustíveis praticados pela Petrobras, por não seguirem os valores internacionais. Para elevar o ânimo dos acionistas, a estatal começou a elevar os preços da gasolina e do diesel, até zerar a defasagem dessa. Já em relação ao diesel, houve uma redução na disparidade de preços.

O problema é que, pensando nas eleições em 2022, o presidente Bolsonaro afirmou aos caminhoneiros que o preço do combustível no Brasil iria cair. Aliás, o sindicato da categoria decidiu realizar uma greve no início de fevereiro, devido às elevações dos valores dos combustíveis. Contudo, o movimento não engrenou e a associação que convocou a paralisação nacional acabou saindo do movimento dias depois.

 

Petrobras eleva novamente os preços e Bolsonaro age

Na sequência, Bolsonaro chegou a afirmar que “jamais” iria interferir nos preços praticados pela Petrobras, que elevou os valores no dia 9 de fevereiro. Dez dias depois, a estatal realizou mais uma elevação nos preços dos combustíveis. E, por não concordar com a decisão da estatal, o presidente Bolsonaro anunciou na noite do último dia 19 a troca do presidente-executivo Roberto Castello Branco, que ocupava o posto desde o início do governo, em janeiro de 2019, pelo general Joaquim Silva e Luna. Assim, houve uma disparada do medo de ingerência governamental em outras estatais do país.

Após a repercussão negativa envolvendo as interferências na estatal, o governo sinalizou que a mudança na Petrobras não representa um rompimento do “pacto liberal” realizado com o mercado. E, para reforçar isso, o presidente Bolsonaro entregou ao Congresso Nacional, dias depois, uma Medida Provisória para a privatização da Eletrobras e o projeto de lei para a privatização dos Correios.

Assim, as ações preferenciais (PN) da Petrobras, que dão preferência a dividendos, despencou 16,67% em fevereiro. Já os papéis ordinários (ON), que dão direito a voto em assembleias, derreteram 18,95%. E tudo isso aconteceu num mês marcado pela disparada de 18% do barril Brent, referência global, e da alta de 2,45% do dólar.

Por fim, aproveitando essa onda, a petroleira privada PetroRio voou em fevereiro, encerrando o mês com valorização de 18,61%, a quinta maior do período entre as ações do Ibovespa. Em contrapartida, a Petrobras fechou o mês com a segunda e a quinta retrações mais intensas do índice. A estatal até recuperou um pouco das perdas, mas ficou longe do nível alcançado antes de todo esse imbróglio. Agora, resta esperar pelos próximos pregões.

 

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1 comentário
  1. […] destacar que a Petrobras encerrou fevereiro com uma forte queda de 19% em suas ações na bolsa de valores brasil…. Isso aconteceu devido às interferências de Bolsonaro na estatal. Ele trocou o […]

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