“A vida institucional não é um palanque”, afirma TSE ao defender lisura da urna eletrônica

Na semana passada, Jair Bolsonaro voltou a colocar em dúvida a segurança da urna eletrônica. “A fraude existe”, disse o presidente

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Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou na noite desta segunda-feira (11) que auditorias externas nas eleições municipais de 2020 mostram que não foram identificadas quaisquer situações que comprometessem “a transparência e a confiabilidade” da votação eletrônica.

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Em nota, assinada pelo presidente do tribunal, Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o tribunal acrescentou que as auditorias externas ocorreram nos tribunais regionais eleitorais e foram feitas por uma empresa especializada, contratada por meio de licitação. O tribunal tem ressaltado que não há qualquer evidência ou indício de fraude no processo eletrônico de votação.

O comunicado vem após o presidente da república Jair Bolsonaro (Sem Partido) voltar a colocar em dúvida a segurança da urna eletrônica. Na última quinta-feira (06), o chefe do executivo disse que, caso o Brasil não adotasse o sistema de voto impresso, o país poderia passar por uma situação igual ou até pior do que os Estados Unidos estão enfrentando com seus eleitores, que contestam o resultado da eleição.

“O que aconteceu nas eleições americanas? Basicamente, qual foi o problema, a causa da crise toda? A falta de confiança no voto. O pessoal votou, potencializaram o voto nos Correios por causa da tal da pandemia e houve gente que votou três, quatro vezes, mortos votaram, foi uma festa, ninguém pode negar. Então, a falta de confiança levou a esse problema que está acontecendo lá. Aqui, no Brasil, se tiver o voto eletrônico, vai ser a mesma coisa. A fraude existe”, disse Bolsonaro aos seus apoiadores.

Jair Bolsonaro
“A fraude existe”, disse o presidente sobre a urna eletrônica.

Em resposta, TSE alfineta aqueles que duvidam da segurança das urnas eletrônicas que, de acordo com o tribunal, não operam em rede, isto é, não têm conexão via internet ou bluetooth e, por essa razão, são imunes a ataques hackers, por exemplo.

“A vida institucional não é um palanque, e as pessoas devem ser responsáveis pelo que falam. Se alguma autoridade possuir qualquer elemento sério que coloque em dúvida a integridade e a segurança do processo eleitoral, tem o dever cívico e moral de apresentá-lo. Do contrário, estará apenas contribuindo para a ilegítima desestabilização das instituições”, afirma a nota.

Além disso, o TSE ressaltou que “nunca se apresentou perante o Tribunal Superior Eleitoral qualquer evidência ou mesmo indício de fraude. No Brasil, fraude havia no tempo do voto em cédula, o que está vastamente comprovado nos registros históricos”.

Voto não pode ser impresso no Brasil 

Hoje, de acordo com o tribunal, não é possível a implantação do voto impresso, por força de decisão do STF. “O STF concluiu que a impressão colocaria em risco o sigilo e a liberdade de voto, além de importar em um custo adicional de quase R$ 2 bilhões, sem qualquer ganho relevante para a segurança da votação”.

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