Receita Federal diz que pobres não leem livros e defende aumentar tributação

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A Receita Federal pretende aumentar as tributações de livros porque, segundo os dados recolhidos pelo IBGE, apenas pessoas que recebem mais de 2 salários mínimos compram esse tipo de item e, consequentemente, conseguiriam tributar e distribuir riquezas. Uma lei de 2014 concedeu isenção de PIS e Cofins e que deve ser anulada em 2021. 

O princípio básico das ciências humanas, inclusive de um historiador, vai além de apenas usar dados e de interpretar. Os valores de compras são menores para baixos salários porque as obras são mais caras e as pessoas possuem outras preferências como a alimentação e o aluguel, ambos já apresentaram crescimento dos valores. O óleo, por exemplo, teve alta acima de 80%. 

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Bolsonaro defende a tributação de livros sob o argumento absurdo de que pobres não consomem livros no Brasil. Querem livros só para os ricos. Mesmo pensamento de quando negou a vacina e depois trabalha para sua privatização. O Brasil não pode conviver com isso!”, disse Ciro Gomes, ex-ministro e futuro candidato nas eleições de 2022. 

Em suma, a alíquota proposta para o aumento é de 12%. A proposta já havia sido enviada ano passado para o Congresso e ainda estava passando por algumas análises. 

Interpretação de dados e os livros

Geralmente, as classes mais baixas tendem a optar por opções mais viáveis e baratas que a obra física, como por exemplo a leitura em PDF e até mesmo por aplicativos gratuitos. Aumentar os preços das obras poderia dificultar ainda mais o acesso aos físicos.  

Atualmente, com a migração do público para o meio digital, inúmeras livrarias, como a Saraiva, passaram a perder espaço de mercado e entraram para leilão, seja a loja oficial ou o site online. Muitas obras, principalmente relacionadas a filosofia e clássicas, que são mais antigas, são distribuídas gratuitamente no Google. 

“De acordo com dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2019, famílias com renda de até dois salários mínimos não consomem livros não-didáticos e a maior parte desses livros é consumida pelas famílias com renda superior a dez salários mínimos”, diz o documento.

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