A decadência de um império: As três principais razões para a crise dos EUA

Como o país quer ter suas instituições respeitadas se ele mesmo não respeita a democracia de outros países?

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Nem só de Trump e Biden é feito o império estadunidense. Não bastasse o já complicado sistema eleitoral e a consolidação de uma sociedade cada vez mais fragmentada, os EUA passaram a enfrentar também uma crise política que ao que tudo indica não cessará após o fim do governo de Donald Trump. A invasão ao Capitólio no último dia 06/01 está para além de um episódio que ameaçou as instituições democráticas, tal ação, foi apenas uma de muitas outras que vem ocorrendo nos EUA nos últimos anos, e que levará ao esfacelamento do modelo imperialista adotado por Washington há pelo menos 160 anos.

Não se trata de torcer pela derrocada de um império ou vibrar pelo fim de sua supremacia no mundo, trata-se tão somente da compreensão de que os fatores endógenos e exógenos que de alguma forma estão ligados aos EUA, vem irrefutavelmente contribuindo para o colapso de seu modelo político e econômico. Se o que embasa essa análise ficasse restrita ao campo político, bastaria que os obstáculos conjunturais fossem superados e tudo voltaria a sua normalidade, mas não, os EUA entraram num beco sem saída a partir de ameaças de dentro e de fora do país, que estão impondo cada vez mais mudanças estruturais na geopolítica global.

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A invasão ao Capitólio nos trás uma reflexão importante, Como o país quer ter suas instituições respeitadas se ele mesmo não respeita a democracia de outros países? Com seu notório domínio sobre os fluxos de informação no mundo, os EUA acusam e ameaçam quase que diariamente países e governos ao redor do mundo, como no Irã, na Venezuela e na própria China, além de terem contribuído diretamente para a destruição da Líbia. Ao mesmo tempo se confraternizam com governos totalitários, beligerantes e que reconhecidamente desrespeitam os direitos humanos, como Israel, Arábia Saudita e Paquistão. 

É difícil imaginar ou crer que estamos testemunhando o fim de uma era, ou o esfacelamento de um império, afinal, nossa sociedade foi moldada e estruturada (principalmente no ocidente) a partir de um perfil ideológico pró-Washington, no qual o domínio e o controle dos meios de comunicação é peça fundamental na estratégia de controlar a opinião pública. Mas três razões principais se apresentam como peças chave para compreender “A queda do império”.   

Bandeira americana conceito sobre fundo rachado

A primeira e mais contundente razão para afirmar o fim da supremacia dos EUA no mundo, é o crescimento econômico da China, goste você ou não, a China é uma realidade, economistas apontam que em menos de uma década o gigante asiático vai superar o PIB dos EUA. Além disso, seu modelo econômico tem sido copiado por muitos países asiáticos, como Vietnã, Malásia e Indonésia, que também vem apresentando melhoras significativas em seus indicadores econômicos nos últimos anos. A China também tem buscado cada vez mais utilizar outras moedas ao invés do dólar no seu comércio internacional o que enfraquece ainda mais a influência norte-americana nesse setor.  

A segunda razão está relacionada à política de guerra dos EUA, atualmente o país possui centenas de bases militares espalhadas pelo mundo, além de manter tropas no Iraque e no Afeganistão há quase duas décadas por conta de guerras com esses países. Tudo isso tem um custo elevadíssimo, superior ao PIB de países como Argentina, Dinamarca e Filipinas juntos, além do quê, são gastos que não tem trazido o retorno esperado para os EUA, sobretudo quando se observa o aumento do desemprego, do número de moradores de rua no país, do endividamento das famílias e da saída de indústrias do país em direção a Ásia principalmente.

A terceira razão é estrutural, todo grande império começa a ruir por dentro, a fragmentação da sociedade estadunidense é cada vez mais nítida, atos racistas e xenófobos são cada vez mais comuns, protestos têm se tornado cada vez mais frequentes, a pandemia atingiu em cheio a economia e a vida das pessoas, os EUA é disparado o campeão de mortes pelo novo coronavírus. Tudo isso se soma ao fato do país está cada vez mais endividado e as contas no vermelho, com uma dívida pública impagável e curiosamente tendo como seu maior credor, o seu maior rival, a China. 

O medo de Franklin: COVID-19

Esse modelo de política econômica e de relações internacionais adotada pelos EUA está em declínio, não por ser melhor ou pior do que outros, mas porque já atingiu seu limite. A invasão à Síria e a Venezuela e a guerra contra o Irã não foram à frente, pois a Rússia se colocou no caminho, o dólar tem perdido espaço entre as principais economias em ascensão no mundo, manter bases militares pelo planeta e custear guerras sem sentido colocaram o país num beco sem saída. Talvez a última trincheira  ou o último fio de esperança dos EUA esteja pautado no domínio da narrativa internacional, que coloca seus líderes e simpatizantes numa bolha, na qual “acham feio tudo que não é espelho”.     

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Professor Jorman Santos:

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2 Comentários
  1. Edmar Lima Santos Diz

    Parabéns professor,belíssima reflexão.

  2. ANSELMO ROCHA ASSUNCAO Diz

    👏👏👏👏👏👏🌎

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